Em um mundo que cada dia mais se busca a velocidade e em que as interações se tornam mais quantitativas e menos qualitativas, a escuta ativa se torna uma prática escassa e é por isso que quando temos contato com alguém que nos ouve verdadeiramente o encanto é imediato.
Imagina a cena:
Uma sala de aeroporto cheia, pessoas com seus fones de ouvido, seus telefones e sua vida acontecendo. De repente uma senhora para na sua frente no meio do caos e tenta ler seu bilhete e encontrar seu portão. As filas estão gigantes e ela está meio perdida, você olha por cima da tela do seu notebook e percebe que pode ajudar. A pessoa cruza o olhar com o seu e você sorri acenando a cabeça, a pessoa então vem do seu lado e te pergunta onde fica o portão 10.
Você olha pra ela e diz que é ali mesmo, ela agradece e senta do seu lado e diz que é a primeira vez em Brasilia e que achou muito confuso o aeroporto. Você sorri e concorda apenas balançando a cabeça. E ela puxa o papo, diz que está fazendo uma viagem de urgência para ajudar seu filho que vai ser transferido de cidade e precisa de ajuda porque ele e seu companheiro acabaram de adotar um casal de gêmeas.
Você percebe então, que aquela pessoa talvez só precise ser ouvida para se sentir mais segura. Você fecha a tela do notebook e começa a ouvir aquela história. Mas ouvir de verdade, a ponto de que aquele ambiente super caótico desaparece e a conversa se torna fluida como se só vocês duas estivesse ali.
No final do papo você ouve: “Muito obrigada, eu estava com tanto medo porque faz tantos anos que não cuido de crianças e não visito meu filho e conversando com você agora eu estou me sentindo mais calma.”
Essa história aconteceu comigo em uma viagem a trabalho. Durante a conversa, percebi que ela não estava com medo de voar, mas sim insegura em relação à decisão de deixar o marido em casa e ajudar seu filho, além do desafio de se reaproximar deles após ter se distanciado por um tempo devido à dificuldade em aceitar o relacionamento dele com seu companheiro. Havia tantas nuances naquela conversa que ainda me emociono ao recordar. Ela foi contando, eu fui perguntando, e no final nos sentimos conectadas, e minha torcida foi genuína para que tudo ocorresse bem.
Esse é o poder da escuta ativa: ouvir o que não esta dito em palavras, acolher genuinamente e criar conexão humana.
E neste momento que o mundo corporativo vive a preocupação com saúde mental, engajamento e atração de talentos resgatar essa habilidade humana é vital para o bem estar das pessoas e sucesso das organizações.
Vivemos em uma sociedade que valoriza o imediatismo e a rapidez nas comunicações, estão aí as redes sociais para provar isso.
Uma frase de impacto é muito mais compartilhada e lida do que um artigo como este. O ritmo acelerado de nossas vidas nos empurra para conversas rápidas, mensagens curtas e interações superficiais, não temos tempo! Certo?
Isso porque estamos constantemente bombardeados por informações, distrações e ruídos que brigam pela nossa atenção e nesse turbilhão, a escuta ativa se torna um precioso alívio rodeado de calma e significado.
A escuta ativa vai além de ouvir, ela parte da mudança de postura e exige um genuíno interesse pelo outro. É estar presente, sem interrupções, suspendendo o julgamento e aumentando a curiosidade para que a outra pessoa se sinta valorizada e compreendida.
Quando praticamos a escuta ativa, aumentamos os espaços de confiança, compartilhamos história, ideias e diminuímos nossas preocupações. É através dessa troca verdadeira que construímos relacionamentos mais significativos e abrimos portas para networking verdadeiro e relacionamentos mais saudáveis.
E como fazer isso? Simples e muito difícil ao mesmo tempo:
Na próxima conversa eu te convido a desacelerar, preste atenção verdadeiramente no outro, faça perguntas querendo saber mais sobre o que a pessoa está te trazendo. Bloqueie o seu impulso de olhar o celular ou o seu smartwatch, esteja ali presente. Dê a si mesmo e a outras pessoas a oportunidade de se conectar em um nível mais profundo, acima de toda essa pressa e superficialidade.
Vamos à contramão da superficialidade para construir uma rede onde a empatia e a compreensão sobre os desafios do outro seja incentivada não apenas na nossa roda de amigos, mas nos nossos ambientes de trabalho.
Se você concorda comigo e acredita que você é parte dessa mudança, além de começar a sua prática hoje mesmo, compartilhe essa mensagem. Vamos espalhar a importância das conexões reais na vida profissional.

